Um Natal Especial

By Luis Carlos “Rapper” Archanjo

O título do filme por si só nos remete ao simbolismo maior do natal, a família. O  filme Um  Natal Especial cumpre o seu papel de levar a mensagem festa natalina  a partir de uma concepção afro-americana. Recheada com o que há de melhor de canções natalinas tradicionais e outras composições referentes a data, passando pelos vários estilos da música negra americana com trilha sonora com arranjos do magistral Marcus Miller. Ao longo de 117 minutos o diretor Preston A. Whitmore II desfila ritmos como o gospel, jazz, hip hop e R&B, ou seja, a trilha sonora do filme é um passeio no tempo da música americana para se ouvir, dançar coladinho estilo “Black Beautiful” ao som do R&B de Luther Vandross, Aaron Neville e Chris Brown,  que canta Try a little Pendergrass e This Christmas de Donny Hathaway gravada  em 1968 na compilação “Soul Christmas” que tinha nada menos que Ottis Redding e Salomon Burke; Oscar Peterson, Lina Wade canta Santa Baby e Toni Braxton jazzisticamente maravilhosa em Christmas Song; o blues de Charlie Brown com Merry Christmas Baby  e Aretha franklin; o Gospel de DeNetria Champ  e  Boney James; viajei até o Viaduto de Madureira ao som de  Sleigh Ride com as meninas do TLC, o hip hop é representado por Young Jeeze  feat. R. Kelly, B2K e Jordin Sparks e para sacudir o esqueleto tem Kool & The Gang e Marvin Gay entre outras pérolas da música black americana. Com certeza a galera da antiga que é fã dos passinhos dos bons tempos do “movimento black” vai se amarrar.

Com perfomances de atores negros excepcionais dirigidos por afro-americanos preocupados em retratar o momento de ascenção ao poder e o consequente status social da inspiração Obama.  O filme  Daddy´s Tyler Perry Girls já tras no título o nome do diretor, produtor, dono de estúdio consagrado pelo filme Preciosa em parceria com Oprah, Tyler Perry, que nos brinda com um drama açucarado de uma mulher negra com história de sucesso,  la  Michele Obama, à procura  da alma gêmea,  protagonizado por  Gabrielle Union e  Idris Elba. A ator também faz presença na produção inspirada num clássico da música black americana das décadas de 60 e 70. Elencado por Idris Elba,  Loretta Devine, Delroy Lindo Chris Brown, Mekhi Phifer e Regina King dando um toque de sensualidade http://www.sonypictures.com/movies/thischristmas/site/?hs317=ThisChristmas+EnterTheSite, onde  Loretta Devine é a matriarca da família Whitfield, drama-comédia, cujo marido resolveu trocar a família pelo jazz deixando-a com o seu legado artifícios para lidar com o sentimento de perda de perda. Agora reduzida à presença de apenas o filho caçula e o seu dilema entre a opção pela carreira de cantor e os medos da mãe; o filho primogênito, saxofonista de jazz, que chegou em fuga por dívida de  jogo depois de quatro anos. Ao longo do filme rolam situações com os ingredientes de qualquer família americana classe média representada no cinema: encontros, desencontros, jogo  de interesse de terceiros, o olhar atento e ao mesmo tempo cordato para pequenos desvios de conduta dos filhos. Assim como nos outros filmes a questão racial desta vez é colocada da ótica do negro.  Mesmo com os ingredientes de clichês para dramas familiares hollywoodianos e as tantas tantas obras que retratam as mazelas da violência urbana globalizada com o negro nas várias representações de esteriótipos, o diretor consegue nos colocar diante de uma situação atípica para olhares fora das conquistas sociais conseguidas pelos negros na sociedade dos EUA.

A família Obama é a representação máxima deste novo estágio do negro na busca de representatividade nos rumos da vida americana, como também estender a outros irmãos e irmãs a sua condição de espelho para os caminhos a serem percorridos para tal condição para outros afrodescendentes mundo afora. Ao cumprir a missão de mostrar ao mundo que existe outra versão do núcleo familiar com direito a papai noel, carrões, negócio em família o diretor suscita um exercício de reflexão para uns e o de heteropercepção para outros, pois a sua proposta cinematográfica foge um pouco aos  padrões que sempre nos chegam pelos processos de informação e seus filtros. Ou seja, faz um retrato do sucesso de uma negritude emergente no way life americano, mesmo no turbilhão do momento econômico na incerteza de uma nova geografia de poder, mas que faz a lição de casa quando usa a sétima arte para dizer que outro mundo é possível quando se conhece um pouco da historicidade de luta daqueles representados nas obras de diretores afro-americanos conscientes da trajetória desde o continente africano, o açoite nos campos de algodão, a luta pelos direitos civis, as ações afirmativas, e  acima de tudo colocar a capacidade de sonhar.

Falar na capacidade do sonho e realização é buscar referência nas palavras de ativistas dos direitos humanos como Luther King e  W.E.B Du Bois dentre os muitos nomes que por si só dizem do quanto vale a pena lutar por um outro ponto de vista das relações interraciais, por exemplo, e que quando os valores do determinismo são questionados por paradigmas que tragam horizontes inimagináveis para a intergeracionalidade de vidas precárias a espera do último passo da miserabilidade, da violência e desassistência de rede de apoio, restando como alternativa a mão salvadora ante ao convite do poder subestabelecido e as questões éticas da razão subvertidas ao imediatismo da satisfação para necessidades primárias; indiferente aos termos acordo tácito de vida e morte acenando do outro lado da  linha tênue que separa  o cidadão comum e a barbárie instalada no desvão dos processos do não-exercício da cidadania comprometendo a todos com o seu psiquismo e, consequentemente, mata a capacidade do sonho como o único caminho para superar o vendaval de mazelas sociais arrastando crianças e adolescentes, principalmente, no descaminho dos processos de autodestruição, já que a desassistência em conjunto com outras variáveis atuando nos processos epigenéticos  a desde a concepção até a idade escolar compromete os mecanismos cognitivos por falta de infraestrutura da rede de apoio à condição de ser humano em desenvolvimento e com direitos constituídos pelos vários mecanismos legais de proteção a infância e do núcleo familiar com os estímulos necessários aos mecanismos mentais na preparação da prontidão para a educação e a sua capacidade de abstração ou fuga para objetivos de autossuperação ante o repertório de fatalidades conspirando em obstáculos na consecução do conhecimento, segundo   a ótica de normalidade da escola, para objetivos de se fazer menos um nas estatísticas da vulnerabilidade dos bolsões de miséria, principalmente, pincelando o quadro de barbárie  da nossa tão perversa realidade de desigualdade social quando comparada com outras pontuadas  com historicidade de escravatura, por exemplo.

Os problemas individuais nascidos de pendências normais de trocas interpessoais por laços familiares no desenrolar da trama  não é transformado num grande drama, pelo contrário, serve como elemento afirmação da cosanguinidade. Com certeza para algumas pessoas o filme é um encontro com lembranças adormecidas a espera das cenas que arrancam sorrisos e lágrimas em meio a profusão de flashbacks e ficção se entrecrusando durante 117 minutos.

2 Respostas to “Um Natal Especial”

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