Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate

By Eliana de Oliveira

Numa  abordagem antropológica, a identidade é uma construção que se faz com atributos culturais, isto é,  ela se caracteriza pelo conjunto de elementos culturais adquiridos pelo  indivíduo através da herança cultural. A identidade confere diferenças aos grupos humanos. Ela se evidencia  em termos da consciência da diferença e do contraste do outro.

Ao longo de nossa história, na qual a colonização se fez presente, a escravidão e o autoritarismo  contribuíram para o sentimento de inferioridade do negro brasileiro. A ideologia da degenerescência do mestiço, o ideal de branqueamento e  o mito da democracia racial   foram os mecanismos de dominação ideológica  mais poderosos já produzidos no mundo, que permanecem ainda no imaginário social, o  que dificulta a ascensão social  do negro, pois este é visto como indolente e incapaz intelectualmente.

A política de branqueamento que caracterizou o racismo no Brasil foi gerada por ideologias e pelos estereótipos de inferioridade e/ou superioridade raciais. A ideologia do branqueamento teve como objetivo propagar que não existem diferenças raciais no país e que todos aqui vivem de forma harmoniosa, sem conflitos (mito da democracia racial).  Além desses aspectos, projeta uma nação branca que, através do processo de miscegenação, irá erradicar o negro da nação brasileira, supondo-se, assim, que a opressão racial acabaria com a raça negra pelo processo de branqueamento. Essa tese é apresentada pelo Brasil ao mundo.

Gilberto Freire foi um dos pioneiros desse  “mito da democracia racial”  apregoando que existe, no Brasil, a igualdade de oportunidades para brancos, negros e mestiços. A disseminação desse mito  permitiu esconder as desigualdades raciais, que eram constatadas nas práticas discriminatórias de acesso ao emprego, nas dificuldades de mobilidade social da população negra, que ocupou e ocupa até hoje os piores lugares na estrutura social, que freqüenta as piores escolas e que  recebe remuneração inferior à do branco pelo mesmo trabalho e tendo a mesma qualificação profissional. A falta de conflitos étnicos não caracteriza ausência de discriminação, muito pelo contrário, o silêncio favorece o “status quo” que,  por sua vez, beneficia a classe dominante.

O movimento negro vem denunciando com freqüência o tratamento discriminatório recebido pelos negros, lutando não só para eliminar as políticas de inferiorização com respeito às diferenças raciais, mas também pela igualdade de oportunidade, que é a ética da diversidade.

O nosso cotidiano escolar está impregnado do mito da democracia racial – um dos aspectos da  cultura da classe dominante  que  a escola transmite-,  pois representa as classes privilegiadas e não a totalidade da população, embora haja contradições no interior da escola que possibilitam problematizar essa cultura hegemônica, não desprezando as diversidades culturais trazidas pelos alunos. Assim, apesar de a escola inculcar o saber dominante, essa educação problematizadora poderia tornar mais evidente a cultura popular.

A proposta de uma educação voltada para a diversidade  coloca a todos nós, educadores, o grande desafio de estar  atentos às diferenças econômicas, sociais e raciais e de buscar o domínio de um saber crítico que permita interpretá-las.

Nessa proposta educacional será preciso rever o saber escolar e também investir na formação do educador, possibilitando-lhe uma formação teórica  diferenciada da eurocêntrica. O currículo monocultural até hoje divulgado deverá ser revisado e a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas. E a escola terá o dever de dialogar com tais culturas e reconhecer o pluralismo cultural brasileiro.

Talvez pensar o multiculturalismo fosse um dos caminhos para combater os preconceitos e discriminações ligados à raça, ao gênero, às deficiências , à idade e à cultura, constituindo assim uma nova ideologia para uma sociedade como a nossa que é composta por diversas etnias, nas quais as marcas identitárias,  como cor da pele, modos de falar, diversidade  religiosa, fazem a diferença em nossa sociedade.  E essas marcas são definidoras de mobilidade e posição social na nossa sociedade.

Nós, como educadores, temos a obrigação não só de conhecer os mecanismos  da dominação cultural,  econômica, social e política, ampliando  os nossos conhecimentos antropológicos, mas também de perceber as diferenças étnico-culturais sobre essa realidade cruel e desumana.

Olhar a especificidade da diferença é instigá-la e vê-la no plano da coletividade. Pensar numa escola pública de qualidade é pensar na perspectiva de uma educação inclusiva. É questionar o cotidiano escolar, compreender e respeitar o jeito de ser negro, estudar a história do negro e assumir que a nossa sociedade é racista. Construir um currículo multicultural é respeitar as diferenças raciais, culturais ,étnicas, de gêneros e outros. Pensar num currículo multicultural é opor-se ao etnocentrismo e preservar valores básicos de nossa sociedade.

Se a educação está centrada na  dominação cultural  da elite  branca,  o  multiculturalismo – por ser uma estratégia de orientação educacional para os problemas das diferenças culturais na instituição escolar – reconhece a alteridade e o direito à diferença dos grupos minoritários, como negros, índios, homossexuais, mulheres, deficientes físicos e outros, que se sentem excluídos do processo social. Portanto, deve ser uma teoria a ser propagada.

Segundo o Prof. Kabengele Munanga, a identidade é para os indivíduos a fonte de sentidos e de experiência. Toda identidade exige reconhecimento, caso contrário ela poderá sofrer prejuízos se for vista de modo limitado ou depreciativo.

A realidade que enfrentamos hoje é perversa. Olhamos  crianças miseráveis perambulando pelas ruas das  grandes cidades, vemos pela TV e jornais o sofrimento de crianças afegãs, meninas sendo prostituídas no Brasil e na Ásia e em outros países, massacres que transformam a segurança dos poderosos em insegurança para todos nós.  Ninguém exige respostas para tantas desgraças, mas de todos nós exigem um comprometimento pessoal por uma humanidade mais justa e solidária.  Curiosamente sempre estamos procurando um culpado por todos esses problemas. Além disso,  podemos observar no nosso cotidiano flagrantes e atitudes preconceituosas nos atos, gestos e falas. E, como não poderia ser diferente,  acontece o mesmo no ambiente escolar.

Nessa proposta multicultural,  a escola poderá  elaborar um currículo que permita  problematizar a realidade. Mesmo não sendo o único espaço de integração social,  a escola poderá possibilitar a consciência da necessidade dessa integração, desde que todos tenham a oportunidade de acesso  a ela e possibilidade de nela permanecer.

A educação escolar  ainda é um espaço privilegiado para crianças, jovens  e adultos das camadas populares terem acesso ao conhecimento científico e artístico do saber sistematizado e elaborado, do qual a população pobre  e negra  é excluída por viver num meio social desfavorecido.

A escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e também é o local mais discriminador. Tanto é assim que existem escolas para ricos e pobres, de boa e má qualidade, respectivamente.  Por isso trabalhar as diferenças é um desafio para o professor, por ele ser o mediador do conhecimento, ou melhor, um facilitador do processo ensino- aprendizagem. A escola em que ele foi formado e na qual trabalha é reprodutora do conhecimento da classe dominante, classe esta, que dita as regras e determina o que deve  ser transmitido aos alunos. Mas, se o professor for detentor de um saber crítico, poderá questionar esses valores e saberá extrair desse conhecimento o que ele tem de valor universal.

Na maioria dos casos, os professores nem se dão conta de que o país é pluriétnico e que a escola é o lugar ideal para discutir  as diferentes culturas, e  suas contribuições  na formação do nosso povo.  Eles também ignoram que muitas vezes as dificuldades do aluno advêm do processo  que está relacionado à sua cultura, tão desrespeitada ou até ignorada pelos professores.

A nossa escola é baseada numa visão eurocêntrica, contrariando o pluralismo étnico-cultural e racial da sociedade brasileira. E os educadores e responsáveis pela  formação de milhares de jovens na sua grande  maiorias são vítimas dessa educação preconceituosa, na qual foram formados e socializados. Esses educadores não receberam uma formação  adequada para lidar com as questões da diversidade e com os preconceitos na sala de aula e no espaço escolar.

A pequena quantidade de alunos negros nas escolas é resultado, na realidade, da desigualdade praticada pela  instituição escolar e pelo próprio processo de seu desenvolvimento educacional. Também a prática seletiva da escola silencia sobre  as diferenças raciais  e sociais, provocando a exclusão do aluno de origem negra pobre, dos portadores de necessidades especiais e  de outros.

Trabalhar igualmente essas diferenças não é uma tarefa fácil para o professor, porque para lidar com elas é necessário compreender como a diversidade se manifesta e em que contexto. Portanto, pensar uma educação escolar que integre as questões étnico-raciais significa progredir na discussão a respeito das desigualdades sociais, das  diferenças raciais e outros níveis e no direito de ser diferente, ampliando, assim,  as propostas curriculares do país, buscando uma educação mais democrática.

Embora saibamos que seja impossível uma escola igual para todos, acreditamos que seja possível a construção de uma escola que reconheça que os alunos são diferentes, que possuem uma cultura diversa e que repense o currículo, a partir da realidade existente dentro de uma lógica de igualdade e de direitos sociais. Assim,  podemos deduzir que a exclusão escolar  não está relacionada somente com o fator econômico, ou seja, por ser um aluno de  origem pobre, mas também pela sua origem étnico-racial.

Bibliografia:

GIROUX, Henry A. Cruzando as fronteiras do discurso educacional: novas políticas em educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999

GONÇALVES, Luiz Alberto Oliveira & SILVA, Petronilha B. Gonçalves e. O jogo das diferenças: Multiculturalismos e seus contextos. Belo Horizonte: Autêntica, 1998

MUNANGA, Kabengele. O preconceito racial no sistema educativo brasileiro e seu impacto noprocesso de aprendizagemdo “alunado negro”. IN: Utopia e democracia na Escola Cidadã. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal de RGS, 2000.

PIERUCCI, Antônio Flavio. Vivendo o preconceito em sala de aula IN: Diferenças e preconceitos na escola alternativas teóricas e praticas. São Paulo: Summnus, 1998

__________. Ciladas da diferença. Tempo Social, 1990.

(*) Psicopedagoga; Doutora em Antropologia Social da FFLCH – USP e Pesquisadora do NEINB (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro da USP). Atualmente é professora e coordenadenadora do curso de Pedagógia da FMC, membro da Comissão Própria de Avaliação-CPA da Faculdade Metropolitana de Caieiras-FMC, professora do curso de Pós-Graduação da Escola Superior da Procuradoria Geral do Estado-ESPGE. Publicado na REA, nº 07, dezembro de 2001. Disponível em <http://www.espacoacademico.com.br/007/07oliveira.htm >

LEITURA COMPLEMENTAR

PORTAL CULTURA INFÂNCIA
O Portal Cultura infância (PCI) nasce com a proposta de concentrar num mesmo espaço virtual, o maior número de informações possível a respeito do universo da criança, considerado a partir dos seguintes aspectos: arte, cultura, comunicação e educação. O PCI é dirigido a pesquisadores, educadores, pedagogos, psicólogos, pais, artistas, gestores de cultura, oficineiros, pensadores e interessados de uma maneira geral em contribuir para a construção de uma práxis e de uma visão mais ampla e contemporânea da criança e da infância no Brasil, ou seja, a considerar: a criança, como um agente dinâmico e ativo da sociedade e não um indivíduo sem conteúdo e visão do mundo; a existência de várias infâncias; segundo seu meio social, econômico e cultural; o diálogo e a inter-relação entre as outras faixas etárias e segmentos da sociedade.
Disponívelem<http://culturainfancia.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=554&Itemid=81 >

Lei 10.639/2003 – A África na Sala de Aula

UNICEF – Por uma Infância sem Racismo
http://www.infanciasemracismo.org.br/divulgue/

BOLETIM FAMALIÁ –  O Boletim Famaliá é uma iniciativa da Famaliá Produções LTDA. que objetiva divulgar as principais notícias relativas ao universo das culturas populares e dos povos e comunidades tradicionais. As notícias são captadas através de uma grande rede de informantes e serão atualizadas frequentemente no sítio http://www.famalia.com.br/?cat=3
Informações poderão ser obtidas e colaborações poderão ser feitas através do endereço famalia@terra.com.br

Literatura Infantil Afro-Brasileira:
https://projetomuquecababys.wordpress.com/2010/12/08/mau-preparo-de-professor-atrapalha-ensino-de-literatura-afro/>
Salloma Salomão – Aruanda Mundi
http://aruandamundi.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

CAVALLEIRO, Eliane. Por um Estado que proteja as crianças negras do apedrejamento moral no cotidiano escolar. Geledes Instituto da Mulher Negra,  Portal Geledes.
Disponível em:
http://www.geledes.org.br/em-debate/dia-da-consciencia-negra-por-um-estado-que-proteja-as-criancas-negras-do-apedrejamento-moral-no-cotidiano-escolar-20/11/2010.html

11 Respostas to “Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate”

  1. jô ventura Says:

    Adorei o texto , acho que ele fala exatamente o que eu penso , reflito e combato o tempo todo em minhas militâncias politicas , culturais , educacionais e sociais . Valeu gente pela a provocação .

    jô ventura

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    • projetomuquecababys Says:

      Oi Jô,
      Espero que tenha lido a postagem do filme Vem Dancar…Recebi e-mail para a IV Semana de Educação da PUC-Rio, que acontece de 24 a 26 de novembro de 2009 no campus Gávea, de onde transcrevi o texto que decifra um pouco dos eventos que circulam na web a respeito de atitudes de intolerância no espaço acadêmico por n questões do contextualizado a seguir: “Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias: educação? Educações. (…) Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a única prática, e o professor profissional não é seu único praticante”. (1981 O que é educação).

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  2. Na minha escola, localizada na zona Norte do Rio, os alunos negros e mestiços são a grande maioria. Realmente a escola não o único local de acesso ao cçonhecimento – a cultura do consumismo, da apologia a violência, do individualismo, jogam de forma decisiva contra a instituição escolar. Para mim, fora da escola não há futuro.
    Uma das coisas que mais me intrestessem é ver um aluno da mesma origem social e, muitas vezes étnica, desfazer do outro somente por ele ter um tênis ou camisa de grife.

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  3. projetomuquecababys Says:

    Olá,

    As contribuições da Sociolingüistica, da Sociologia e da Antropologia para a compreensão do que acontece na escola e na sala de aula intensificaram-se a partir da década de 60, quando pesquisadores dessas áreas vieram dar sua colaboração para a análise da grande questão da educação norte-americana emergente naquele momento e ainda hoje atual: o fracasso escolar de crianças pertencentes a minorias étnicas. Subjacente às interações entre professores e alunos pertencentes à minoria branca e os alunos pertencentes à minoria étnica há uma relação de “poder simbólico” (Bourdieu, P., A Economia das Trocas Lingüisticas, Editora da USP, 1996)

    Portanto, a entrada em cena de licenciandos com a ótica da formação reclexiva/investigativa em que a reflexão está voltada para a transformação das práticas pedagógicas em que a atuação do professor caracteriza-se como um trabalho de pesquisa-ação, em que reflexão e ação, teoria e prática se articulam para reconstruir e aperfeiçoar as atividades currículares necessárias a educação como instrumento da emancipação pessoal de fato.

    A escola pode até cumprir o seu papel de levar as novas geraçõeso histórico-social construído pela humanidade, porém o seu papel como um projeto emancipador para todos do tecido social é uma falácia desde a muito questionada pelos crítico-reprodutivistas, que a têm como mais um mecanismos de reprodução da sociedade de classes, onde a escola dicotômica forma os que pensam e os que executam.

    As abordagens etnográficas exploram o mecanismos sutis dos processos de escolarização em que aquilo que não é notado, que parece tão natural, trivial e familiar, que não é examinado pelos vários sujeitos do ambiente escolar, nem problematizado por todos que direta ou indiretamente se compreendem como parte de um contexto que é social, portanto, permeado de dimensões sociais tácitas, não intencionais e ocultas.

    Segundo os PCNs (2000): “O domínio da língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação social, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visão de mundo, produz e dissemina conhecimento. Assim, um projeto educacional comprometido com as questões psicolinguísticas e sociolínguísticas, a justiça social pela democratização do acesso ao conhecimento, pelo que a linguagem tem de identidade e de se fazer conhecido, para a equalização social e cultural de um mundo cada vez mais regido pela interpretação técnica e a sua vertinosidade em mudanças a suscitar uma leitura de mundo cada vez mais dinâmica. Diante deste quadro a função da escola é garantir a democratização social e cultural dos seus alunos através do acesso aos saberes líguísticos necessários para o exedrcício da cidadania, direito inalienável de todos” (p. 23)

    A formação docente fundada em propostas político-filosóficas que ajudem no entendimento de realidades sociais tão excludentes como a nossa, exige uma formação didático-pedagógica em abordagens que desvelem o “currículo oculto” que permeiam as relações intramuro da escola. Assim, então, poderemos pensar no papel emancipador da escola com crianças estigmatizadas que, por isso, exercem auto-censura, ficam sem ação, calam-se, incapazes de enscontrar as suas palavras em ambiente que reconhecem intuitivamente que seu linguajar não é valorizado, por exemplo. Na verdade foram silenciadas, ou, então, passam a ter uma atitude de resistência, rejeitando a escola que as rejeita.

    No final dos anos 70, Paulo Freire já abordava a reflexividade na prática de professores, propondo a conscientização, que é mais do que a tomada de consciência individual, pelos processos de ação-reflexão-ação. A conscientização para Freire (2003, p. 60), que é coletiva, implica a “substituição de uma percepção distorcida da realidade, por uma percepção crítica da mesma´. Essa mudança de percepção, que se dá na ação e reflexão, constitui, como afirma Freire, um eficiente instrumento de mudança”. Paulo Freire abordava sobre a reflexão na prática docente, propondo a conscientização, principalmente coletiva, emergente do processo dialógico educativo. A reflexão sobre a realidade irá proporcionar uma possível ação e consequentemente uma mudança. Mas para tal transformação no contexto social torna-se necessário o educador ter consciência da importância do seu papel social, bem como ter uma boa formação para melhor desempenho de sua função.

    A reflexão/pesquisa filosófica na ação docente, possibilita ao educador a superação de uma prática pedagógica concebida de forma fragmentada e desarticulada, por uma compreensão unitária, coerente, articulada e intencional. Quiça, as contribuições das ciências relações sociais e os vários caminhos da interdisciplinidade ampliem os campos de abordagem de futuros intelectuais orgânicos instrumentalizados com novas concepções contra-hegêmonicas ou ideológicas que não sejam fundadas em práxis educativas de realidades díspares ou simulacros de se estar no lugar do outro e ao mesmo tempo representar o fazer educativo que limita-se a reprodução do cotidiano fragmentado, alienado e determinista.

    Sendo assim, a autoformação – Teoria Tripolar da Formação, de Gaston Pineau, baseado nos estudos de Rosseau que, no século XVIII, afirmou que os três mestres fundamentais da educação são a própria pessoa, os outros e as coisas – como parte do processo de se formar professor pesquisador/ reflexivo, que se assuma como um profissional transformador de nossa realidade social é uma questão a ser cogitada no currículo para a formação de professor na condição de agente de inovação, da memória social e educativa, de valores na sociedade digital. É através da sua singularidade que o homem, enquanto gênero humano, estabelecendo relações objetivas e subjetivas de produção, dá origem historicamente a diferentes formas de organização social e, com isso, institui um médium social determinado no qual o indivíduo se insere concretamente – espaços das determinações sociais, a partir das quais o singular se forja com o humano. Sendo assim, a educação como parte do processo de construção do seu médium social, abarca a autoformação com suas características que comunga com a impessoalidade do ensino à distancia (EAD), e dinâmicas próprias de tempo/espaço para a apropriação dos conteúdos dessa modalidade de ensino, é um ponto de partida para educar-se para e na primeira pessoa, é não apropriar-se da dependência discente, principalmente, é promover a autonomia intelectual do aluno instrumentalizando-o das ferramentas educativas necessárias à desconstrução da condição de mero espectador, influenciando-o a tornar-se um agente de mudanças no coletivo da sua realidade social como supõe o inderterminismo de Sartre.

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