Vem Dançar – A Dança como Ferramenta da Educação

By Luis Carlos “Rapper” Archanjo

A relação do cinema com a dança, se pesquisado pelo verdadeiro pé-de-valsa, daqueles que dançam quase todos os estilos, teremos, na certa, um acervo do gênero com contagem que vai além dos pés e mãos. Sem pretensão de ser grande conhecedor dessa área da sétima arte, diria que Dancing in the Rain (Dançando na Chuva) é a primeira referência para as primeiras gerações de cinéfalos-dançarinos. Depois da década de 70 a tela do cinema foi invadida por muitos títulos abordando a hip-hop e street dance. São estilos de dança competitivos na essência, pela sua ligação com a realidade das gangues ao alcance de olhos ávidos por novos passos, coreografias e fusões através dos canais por assinatura, principalmente. Recentemente a competição de hip-hop, street dance e dança de salão da várias edições do programa So You Think You Can Dance exibido pelo canal FOX nos dá a capacidade da mobilização do país em torna dança para o deleite de olhos aficionados de todo mundo, e muitos são os estilos: rumba, mambo, salsa, valsa, street dance, foxtrot, swing, charleston, sapateado (tap dance), tango [1]e samba de gafieira.

Até a influência americana da geração 70, o nosso país não tinha uma tradição de campeonato de dança para um público mais jovem. Com a chegada das competições internacionais de hip-hop, a dança de rua foi incorporada, assimilada e fundida na cultura da dança de salão e toda uma performance que foge e recupera os padrões do pé-de-valsa de gerações anteriores, porque em alguns casos a força da individualidade prima em detrimento ao tradicionalismo da troca homem-mulher como epicentro de evoluções com elementos de acrobacia, leveza, força, atitudes cortês entre outras percepções na subjetividade da dança a dois, mas, que ao mesmo tempo nos brinda com a irreverência resultante do híbrido de culturas em comunhão povoando as telonas com passos do hip-hop, street dance, bolero, swing e lind hop, tango, ritmos latinos, foxtrot e valsa ao mesmo tempo. Muitas são as possibilidades de inferir no processo de separar o joio do trigo, mas prefiro abster-me de intervenção na indicação da minha seleção ou na construção de glossário do universo em questão, apesar da intenção de norte quanto à indicação de filmes voltados para a temática de inclusão da palavra “casal” nos vários estilos de dança, porque com certeza o pesquisador e praticante antenado irá dar o seu passeio nas redes sociais afins, nas postagens dos experts de plantão e listagens segundo gênero, estilo, atores, ano ou qualquer outra referência necessária ao politicamente correto, para os tradicionais, da arte ou cultura em questão.

O filme passeia pelo clichê das produções hollywoodianas reinventando toda uma cultura sonora necessária a trilha sonora dos bailados e suas melodias característica de cada estilo de dança fazendo a sobreposição ou mixagem de bases inspiradas em batidas da cultura hip hop, rap e street dance e sua evolução desde a década de 70. Desse caldo cultural arestado as fusões necessárias para compor o roteiro dos antenados de gerações que sucederam essa década. Para os menos antenados na cultura, acho que uma imersão no wikipédia dá uma primeira visão desse movimento que surgiu nos anos 70 como forma de reação aos conflitos sociais e a violência do preconceito racial sofrida pelas classes menos favorecidas da sociedade urbana norte-americana e os seus problemas de ordem social como pobreza, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura, violência e de educação entre outros nos subúrbios negros e latinos de Nova York. As gangues e o seu estilo opressor e a rua como único espaço de lazer para imigrantes do Caribe (Jamaica) e as suas festas de rua com equipamentos sonoros em carros de som muito possantes chamados Sound Sistem (uma espécie de tio elétrico jamaicano).

Levados para o Bronx pelo DJ Kool Kerc, que introduziu o free style – forma de rimar em cima de batidas eletrônicas (breakbeat – looping de um pequeno trecho musical) de reggae instrumental, que se sofisticou com a invenção do scratch que daria origem ao rap. Nesse contexto nasciam diferentes manifestações artísticas de rua, formas próprias, dos jovens ligados aos quatro elementos que formam a base daquele movimento: música, dança, poesia e pintura. As gangues foram encontrando naquelas formas de arte uma nova maneira de canalizar a violência em que vivem submersas e passara a frequentar as festas e dançar break (quebrar), competir com passos de dança e não mais com as armas. Essa foi a proposta de Africa Bambaataa, que depois do pai Kool Herc, foi o padrinho da cultura hip-hop da junção dos elementos até 12/11/1973, data de criação no Bronx, da Zulu Nation, primeira organização que tinha em seus interesses a cultura hip-hop e toda sua ideologia baseada nos quatro elementos. Para Bambaataa, o hip hop significa: paz, amor, união e diversão.

Esse embrião da cultura hip hop serviu de inspiração para o projeto social do franco-espanhol Pierre Dulaine, criando a empatia necessária ao programa de desenvolvimento social das crianças da 5ª  série utilizando a dança de salão como ferramenta de transformação no espaço escolar, estendendo-se às mudanças na vida dos familiares e no  corpo técnico-pedagógico a partir de uma simples aula de dança na Professional Performing Arts School em Manhattan. Em 2005, o premiado documentário  Mad Hot Ballroom (vide wikipédia), fez um road-movie capturando as imagens da experiência de aulas da dança de salão  nas escolas da rede pública de ensino de Nova York. Uma das capilaridades da Zulu Nation ( link em África Bambaataa) era o projeto Infinity Lessons – aulas sobre conhecimento, prevenção de doenças, matemática, ciências, economia, entre outras coisas e que serviam para modificar os pensamentos das gangues, já que segundo Bambaataa, as ações do Infinity Lessons preparavam os jovens para vida através do apoio ao conhecimento, a sabedoria, a compreensão, a liberdade, a justiça, a igualdade, a paz, a união, o amor, a diversão, o trabalho, a fé e as maravilhas de Deus, pois os jovens excluídos no contato com seus iguais podem sentir e vivenciar a rara oportunidade de livre-expressão através da arte, sem repressão ou tutelagem segundo regras do ordenamento vigente na relação étnico-racial e sociocultural para afro-americanos.

Graça a mistura de teimosia e empatia, ele fez vingar a ideia e esta virar um projeto que, hoje, envolve cerca de 40.000 alunos americanos. A versão ficcional da trajetória de Pierre Dulaine. Protagonizada por Antonio Banderas, que acerta o passo interpretando o educador-dançarino-competidor com sobriedade e sem floreios, como comenta o crítico Roberto Ribeiro em 20/06/2006: A cena inicial começa num jogo de plano/contra plano de várias pessoas se arrumando à noite para irem a seus respectivos bailes, e logo identificamos dois grupos bem distintos: o dos (supostamente) ricos, que se arrumam roupas de gala tradicionais e os dos (supostamente) pobres, que põem roupas provocantes e improvisadas com um ar de periferia; a elegância da dança de salão contrapondo-se com a liberdade do hip hop. Um olhar mais cuidadoso nos mostra, entretanto, que o que separa os dois mundos é meramente uma barreira cultural fabricada, algo tão tênue e atento a detalhes, assim como a forma de dançar, ambos os grupos se arrumam com bastante cuidado para ir ao baile, como se fosse um evento religioso e a energia e emoção na dança é igual para todos.

[1] Texto extraído do livro “O Juiz sem Toga”, de Herval Pina Ribeiro, sob permissão
Herval Pina Ribeiro: Médico e especialista em saúde do trabalhador, professor da      UFSP (2007)

Informações Complementares

Postagem em  3/12/2009
http://www.molon.com.br/website/blog.asp?ident_sec=4&ident_con=2425

Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas

DJ BATATA
Mas uma aula da criatividade da juventude negra brasileira reunindo os passos do samba de gafieira, charm e hip hop ao som da trilha sonora desse cara respeitadíssimo no mundo do Funk e com sensibilidade para ultrapassar fronteiras dos ritmos e criar algo tão belo para os olhos e ouvidos do Brasil e do mundo.

https://www.facebook.com/saved/?cref=28&ref=bookmarks

8 Respostas to “Vem Dançar – A Dança como Ferramenta da Educação”

  1. Gostaria de pedir mais informações sobre este projeto, onde nois trabalhamos com dança na sede do instituto.
    Se for possivel mandar anexo o projeto.

    Att, direçao

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    • projetomuquecababys Says:

      Olá,
      O Projeto Muqueca Babys não trabalha com dança. A proposta do Projeto é apenas fazer a abordagem de temas relativos àqueles com baixa representatividade na infovia, levando informações às redes sociais na condição de agente da cidadania em busca de ações que sirvam de referência, e que possam intervir direta ou indiretamente no velho sistema de processos educacionais pautados por valores que ainda não abriram-se para outras formas de se fazer ensino-aprendizagem na diversidade do processo “Todos Pela Educação”.

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  2. Acredito na diversidade como enriquecimento de vivências e a educação de qualidade e ao longo da vida um direito constitucionalmente definido. Assim, coordeno um projeto a seis anos, para alunos e alunas jovens e adultos e que a partir da diversidade como direito, hoje inclui crianças e adolescentes de uma escola pública. Gostaria de mais informações sobre este projeto , que com certeza, serão de grande importancia para o Projeto Let’s Dance.
    http://projetoletsdance.blogspot.com

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    • projetomuquecababys Says:

      Oi Jalmira,
      Parabéns pelo trabalho desenvolvido com as crianças…No comentário anterior coloco um pouco da proposta do Projeto Muqueca Babys.

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  3. … [Trackback]…

    […] Informations on that Topic: projetomuquecababys.wordpress.com/2009/10/15/vem-dancar-a-danca-como-ferramenta-da-educacao/ […]…

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