Tempo de ser Ético 2

By Luis Carlos “Rapper” Archanjo

Cada grupo social faz a sua leitura de mundo a partir dos valores comuns aos seus membros, primeiramente, e, depois, pelos vários mecanismos adaptativos de uma visão de mundo mais globalizada, onde ele incorpora a sua narrativa pessoal ao coletivo que o conduz ao sincrético, ao estético, ao ético e, este confronta práticas persistentes, contradições e outros fenômenos sociais da interação humana questionando a sua singularidade, que se desloca de cimos difíceis de adaptação, aceitação, confrontação e de abstração para planos concretos de descrição, ou seja, o seu arcabouço de realidade para os devidos contornos de expressão. O que exige de quem se aventura, habilidade ou disposição para buscar o sutil e o profundo no corriqueiro que conduz às áreas mais sensíveis da vida humana, a fé, a religião, a vida familiar e a político-social. Exige a assepsia do cirurgião e a sensibilidade que permite a uma pessoa adentrar a região das sensações e percepções inerente a vida social, fundamentando uma postura que mais habilite o exercício dos seus direitos e deveres como ser social, independente de etnia, credo religioso e opção sexual.

No atual estágio da humanidade, num mundo onde estamos obrigados a conviver com indivíduos que apresentam reações desiguais e adaptações diferentes  às mudanças; que tem concepções morais e valores éticos diferentes, assim como comportamentos diferentes, porque hoje os conceitos são vários, até contraditórios, a respeito de tempo e de espaço (cosmovisão).

Valores de ontem já não valem coisa alguma para alguns, mais ainda têm valor absoluto pata outros; e ninguém é capaz de dizer, com segurança, quais são os valores que prezam parta a sociedade de hoje. É certo que não estamos biologicamente preparados, nem fomos educados física e mentalmente para a rapidez e o impacto dessas mudanças. Nunca fomos educados para o futuro, e nossa escola em todos os níveis ainda são voltadas para o passado, para a memória e não para a adaptação às mudanças, para ensinar a aprender.

Especialistas em comportamento sabem que todas mudanças são perturbadoras, em algum grau, e que as mais bruscas, inesperadas e profundas são estressantes. Para a maioria das pessoas, inclusive as mais educadas. A simples idéia de mudança radical no padrão de vida é visto como algo ameaçador, provoca incerteza, insegurança, temor e resistência; conseqüentemente são acionados os mecanismos instintivos de sobrevivência a qualquer preço ante a possibilidade de novos parâmetros de convivência, aceitação, conivência ou qualquer outra palavra do repertório de situações adaptativas questionando o status quo e os sentimentos de perda levando aos muitos estágios da linha divisória que separa o ético e o antiético. A palavra ética vem do grego ethos, que quer dizer caráter, e que também significa hábito e morada. Quando os romanos a traduziram, usaram o termo “mores”, costumes. As duas expressões falam da mesma coisa. Em português, no entanto, ética e moral, com o decorrer do tempo, passaram a significar coisas diferentes:

Ética: Femenino substantivado do adjetivo ético. Estudo dos juízos de apreciação e conduta humana passível de qualificar do ponto de vista do bem e do mal, em relação à sociedade ou de modo absoluto. A postura ética não  deseja condenar, mas antes evitar.

Moral: Parte da ética que se refere apenas a alguns aspectos da conduta humana. A ética deve ser uma só, mas há diferentes tipos de moral, como a sexual, a dos negócios ou a religiosa. A moral está sujeita aos tempos, mudanças, costumes, modismo, e, embora resulte da ética, pode até compromete-la.

Moralismo: É a doença da ética, a visão estreita da moral, é a ética degradada. O moralismo não educa, condena, não pondera, repele e expulsa.

Em época de crise, quando a situação econômica está degradada e a condição social é insustentável, as questões de sobrevivência imediata e o clima de salve-se quem puder ou é cada um por si prevalecem sobre a moral social; e o instinto de sobrevivência (darwinismo predatório) modifica tanto o comportamento aceito que evidente o comportamento ético da sociedade.

Curiosamente, é nessa situação que se manifesta uma sensibilidade maior para a ética, que passa a ser a questão central, uma vez que a moral social já não é mais suficiente para controlar o comportamento de setores importantes e decisivos da sociedade. Entende-se a ética como um conjunto de princípios e valores universais e perenes que orientam as relações humanas. O que legitima a ética é a sua racionalidade, é a força e a transparência de princípios de valores justos em si mesmos, evidentes, criados exatamente para servir a sobrevivência da maioria. Por isso mesmo, em tempos de crise, há sempre quem proponha o debate da questão ética.

No código de ética judaico-cristão, por exemplo, os dez mandamentos são regras de senso comum que tornam possível e civilizada a convivência, isto é, o viver com. “Não matarás” é, ao mesmo tempo, um valor e um princípio que procura evitar canibalismo, o assassinato, a guerra, o caos que tornaria a sociedade inviável.

Sem respeito a certos princípios a convivência torna-se impossível e é por isso que as sociedades mantêm atitudes aéticas veem aumentar a possibilidade e a probabilidade da crise que desestrutura e leva ao colapso. A ética é que mantém a estrutura da sociedade, e quanto mais profundo o sentimento ético, mais assentada e organizada é essa sociedade. Por exemplo: quando a vida era um valor absoluto e não tinha preço, não havia a violência de hoje. Á medida que a vida humana foi perdendo o seu valor, a violência aumentou. Se a vida de uma pessoa vale tão pouco que ela pode ser excluída da sociedade pela má distribuição de renda, pelo baixíssimo salário mínimo ou pelo desemprego, pela falta de acesso à educação e à saúde, pela falta de água corrente e esgoto, pela falta de segurança e pelo desrespeito constante aos seus direitos de cidadão, acabar com uma vida passa a significar muito pouco.

O consumismo desvairado e o neoliberalismo, por sua vez, ensinaram que a felicidade é consumir, sem se importar a que preço. Esse novo valor para de medir a capacidade, a realização e o sucesso tem justificado a mentira, o engodo, os artifícios para obter as condições ideais de consumo. Isso contaminou os políticos e a política, que, sem ética, é intolerável, torna-se pragmática e cínica, a tal ponto que conspurcou a prédica de São Francisco de Assis, e “é dando que se recebe” passou a ser sinônimo de barganha, do mais imoral toma-lá-dá-cá.

O maior teste para a ética é a relação de poder. Se a ética tem menos força do que o poder, se os princípios éticos e as regras podem ser atropelados pelas manifestações da maioria, a felicidade humana é impossível, porque a felicidade se produz pela ética, pelo bem, e não será pela política ou pelo poder.

“A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”.

A frase acima serve de mote para uma pequena biografia daquele que preconizou a mais de meia década atrás o papel do capital social no mundo neoliberal ou pós-capitalista de hoje.

PETER DRUCKER  nasceu em 19 de novembro de 1909 num subúrbio de Viena. Logo após terminar a escola imigrou para Alemanha devido às poucas oportunidades de emprego depois da derrota do Império Austro-Húngaro na I Guerra Mundial. Trabalhou como bancário e depois como jornalista. Graduou doutorado em direito internacional. A ascensão do nazismo na Alemanha forçou Peter Drucker migrar para a Inglaterra em 1933. Em 1937 mudou-se em definitivo para os Estados Unidos onde se tornou professor e escritor freelance. Lecionou na Universidade de Nova York como professor de administração de 1950 a 1971. A partir de 1971 até sua morte, ele foi professor de ciência social e administração na Universidade de Claremont. Sua carreira como pensador de administração decolou em 1945, quando seus escritos sobre política e sociedade permitiu acesso à estrutura interna da General Motors. A experiência vivida por Peter Drucker nos tempos da Europa totalitária, o deixou fascinado pelo problema da autoridade. Ele dividiu sua fascinação com Donaldson Brown, o cérebro da organização administrativa da GM. Brown convidou Drucker para conduzir o que ele chamou de auditoria política. O resultado, o livro chamado “O Conceito de Corporação”, popularizou a GM como uma estrutura multidivisional e o levou a elaboração de numerosos artigos, livros e compromissos de consultoria.

O livro “O Conceito de Corporação” foi publicado em 1946, sendo o pioneiro do gênero. O trabalho analisou a GM como uma grande estrutura social envolvida em negócios. Descreve o que é administrar, como executivos são selecionados, como eles agem e como uma corporação é organizada em unidades administrativas em diferentes escalas (divisões, seções etc). Procura também explicar o papel de uma grande corporação numa sociedade moderna. Drucker interessou-se pelo crescimento da importância do trabalho intelectual. Ele intrigou-se com o fato de empregados que sabem mais sobre alguns assuntos que seus chefes e tinham ainda assim que cooperar entre eles numa grande corporação.

Ao invés de apenas glorificar o fenômeno do progresso humano, Drucker o analisou, explicou e desafiou o pensamento comum de como uma organização deve ser administrada. Seu estudo contribuiu para a maturidade do mundo dos negócios na segunda metade do século XX. Nesta altura, grandes corporações desenvolveram a linha de produção e a hierarquia fundada na produção em massa, cuja desvantagem consiste na falta de flexibilidade. Executivos pensavam como administrar companhias, mas Drucker trabalhou para que mudassem de idéia para evitar que suas organizações tornassem obsoletas. Mas ele o fez de uma maneira simpática. Ele assumiu que seus leitores eram inteligentes, racionais e trabalhadores dedicados com boa vontade. Se a corporação falia, ele acreditava que normalmente era em virtude de idéias ultrapassadas. Drucker foi autor de 31 livros, traduzidos para mais de 20 línguas. Faleceu em 11 de novembro de 2005, em Claremont, California, de causas naturais ao 95 anos.

Segundo Drucker, no futuro o mercado continuará sendo o que mais importa, mas com uma diferença: estará necessariamente pactuado com o cidadão em um contrato social. Será o capitalismo social, com dimensão humana. Ele imagina, para um futuro bem próximo, o capitalismo do conhecimento e argumenta: a terra, o capital e o trabalho estão produzindo lucros cada vez menores, e a mão-de-obra barata já não tem mais importância na competitividade. A tecnologia que esta rendendo cada vez mais é o conhecimento, e ele acreditava que, no futuro, o maior e melhor capital estará nas patentes, no know how, no saber fazer, na experiência provada. Para ele, a crise do capitalismo já é evidente nos excluídos. As pressões sociais são cada vez mais fortes e ameaçam ficar insuportáveis, porque o que provoca a violência não é a pobreza, mas a exclusão.

A globalização, que é o braço operacional do neoliberalismo, defende a sacracidade do livre mercado e sua única preocupação é a produção. Só o que importa é agregar valor ao produto, e a santíssima trindade é qualidade, competitividade e rentabilidade. Por isso mesmo, o projeto neoliberal não tem dimensão humana e cada excluído e a maior parte das pessoas, nunca, na história, o desemprego foi tão grande, e a economia liberal repugna custear a sobrevivência, a saúde, a educação e a providência dos explorados e excluídos.

Em busca de resultados contábeis, os arianos econômicos fazem aumentar cada vez mais os custos. Não demora muito e vão sugerir alguma solução final para os economicamente inferiores. ( http://envolverde.ig.com.br/?materia=30287 )

Quando quem pode mandar, subordina e exclui, o pior é o poderoso contar com a colaboração da vítima, respaldando-se nas mais esdrúxulas considerações de subserviência. Ele pode mais porque quem pode menos se submete, coloca-se sob a sua proteção e domínio, perpetuando a dominação. O problema é que a imensa maioria dos excluídos não tem consciência da situação ou não exerce essa consciência. Ainda vivemos a herança do conquistador, do explorador, da casa-grande e da senzala.

http://projetomuquecababys.clickblog.com.br/2007/04/10/tempo-de-ser-etico-2/

Uma resposta to “Tempo de ser Ético 2”

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