Carta para um Mundo sem Violência

Postado em Violência Urbana em Novembro 12, 2009 por projetomuquecababys

Depois das cerimônias dos 20 anos da queda do muro, a 10ª Cúpula dos Nobel da Paz teve como convidado de honra a Silo, fundador do Humanismo Universalista e inspirador da Marcha Mundial pela Paz e a Não Violência. Passados 40 anos de seu primeiro discurso público, ele está convencido da possibilidade de construir a Nação Humana Universal fundada sobre uma cultura de não violência ativa. Ao receber de Mairead Corrigan Maguire a “Carta para um mundo sem violência”, redigida pelos prêmios nobel da paz, Silo se comprometeu em nome do Movimento Humanista e de seus organismos, dos quais é impulsionador, a ser seu embaixador e dar a esta carta uma máxima difusão, através da campanha atual: a Marcha Mundial pela Paz e a Não Violência, que desde 2 de outubro percorre uma centena de países nos seis continentes durante três meses e que já mostra sinais de uma mobilização social sem precedentes. Silo detalhou: “Somente este tipo de ação social exemplar tem a capacidade de sepultar as estruturas sociais atuais e produzir uma mudança radical em nosso mundo” e agregou que “a verdadeira força impulsionadora nasce do ato simples daquele que adere conscientemente a uma causa digna e a compartilha com os outros”. Abaixo, o teor da carta escrita pelos premiados com o Nobel da Paz entregue:

Carta para um Mundo sem Violência 

A violência é uma enfermidade evitável 

Nenhum Estado ou indivíduo pode estar seguro em um mundo inseguro. Os valores da não-violência, tanto nas intenções, nos pensamentos e na ação, deixaram de ser uma alternativa para tornar-se uma necessidade. Esses valores se expressam em sua aplicação nas relações entre Estados, entre grupos e entre indivíduos. Estamos convencidos de que a adesão aos princípios da não-violência promoverá  uma ordem mundial mais civilizada e pacífica, na qual uma governança mais justa e eficaz e o respeito à dignidade humana e a sacralidade da própria vida possam tornar-se realidade.

Nossas culturas, nossas histórias e nossas vidas individuais estão interconectadas e nossas ações são interdependentes. Hoje, como nunca antes, acreditamos que estamos diante de uma verdade: nosso destino é um destino comum. Esse destino será determinado por nossas intenções, nossas decisões e nossas ações de hoje.

Estamos firmemente convencidos de que criar uma cultura de paz e de não-violência, apesar de um processo longo e difícil, é um objetivo nobre e necessário. Afirmar os valores contidos nesta Carta é um passo de vital importância para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade e alcançar um mundo sem violência.

Nós, pessoas e organizações premiadas com o Prêmio Nobel pela Paz, Reafirmando nosso compromisso com a Declaração Universal dos Direitos humanos; Movidos pela necessidade de pôr fim à propagação da violência em todos os níveis da sociedade e, sobretudo, às ameaças que em nível global colocam em risco a própria existência da humanidade; Reafirmando que a liberdade de pensamento e de expressão está na raiz da democracia e da criatividade; Reconhecendo que a violência se manifesta de muitas formas, seja como conflito armado, ocupação militar, pobreza, exploração econômica, destruição ambiental, corrupção e preconceitos de raça, religião, gênero ou orientação sexual; Percebendo que a glorificação da violência, como expressa através da indústria do entretenimento, pode contribuir para a aceitação da violência como condição normal e aceitável; Conscientes de que os mais prejudicados pela violência são os mais fracos e vulneráveis; Lembrando que a paz não é apenas a ausência de violência, mas a presença de justiça e bem-estar para as pessoas; Considerando que a falha dos Estados em incluir as diversidades étnicas, culturais e religiosas está na raiz de grande parte da violência no mundo; Reconhecendo a necessidade urgente em desenvolver uma abordagem alternativa de segurança coletiva, baseada em um sistema em que nenhum país ou grupo de países se apóie em armas nucleares para sua segurança; Conscientes de que o mundo necessita de mecanismos e abordagens globais eficientes para a prevenção e resolução não-violentas de conflitos e que eles tem maior êxito quando adotados com antecipação; Afirmando que as pessoas que possuem o poder têm a maior responsabilidade de eliminar a violência onde estiver ocorrendo e evitá-la sempre que possível; Convencidos de que os valores da não-violência devem triunfar em todos os níveis da sociedade, assim como nas relações entre os Estados e as pessoas, Convocamos a comunidade internacional a apoiar os seguintes princípios: 

Primeiro: Em um mundo interdependente, a prevenção e o fim dos conflitos armados entre Estados e dentro dos Estados requer uma ação coletiva por parte da comunidade internacional. A melhor maneira de obter a segurança de Estados individuais é promover a segurança humana global. Isso requer o fortalecimento da capacidade de implementação da ONU e das organizações de cooperação regional.
Segundo: Para construir um mundo sem violência, os Estados devem sempre respeitar o Estado de Direito e honrar seus compromissos legais.
Terceiro: É essencial avançar sem demora para a eliminação verificável das armas nucleares e de outras armas de destruição massiva. Os Estados que possuem tais armas devem dar passos concretos em direção ao desarmamento e adotar um sistema de defesa que não se apóie na ameaça nuclear. Ao mesmo tempo, os Estados devem empenhar-se em consolidar um regime de não-proliferação nuclear, tomando medidas como o fortalecimento de verificações multilaterais, proteção de material nuclear e avanço do desarmamento.
Quarto: Para eliminar a violência na sociedade, a produção e a venda de armas pequenas e leves deve ser reduzida e rigorosamente controlada nos níveis internacional, estatal, regional e local. Além disso, deve haver uma aplicação total e universal dos acordos internacionais de desarmamento, como o Tratado para Erradicação de Minas de 1997 e o apoio de novos esforços para eliminar o impacto das armas indiscriminadas e ativadas pelas vítimas, como as bombas de fragmentação, por exemplo.
Quinto: O terrorismo jamais pode ser justificado, pois violência gera violência, e porque nenhum ato de terror contra a população civil de qualquer país pode ser realizado em nome de causa alguma. Mas a luta contra o terrorismo não pode justificar a violação de direitos humanos, leis humanitárias internacionais ou normas civilizatórias e democráticas.
Sexto: Eliminar a violência doméstica e familiar requer respeito incondicional pela igualdade, liberdade, dignidade e direitos das mulheres, homens e crianças por parte de todos os indivíduos, instituições estatais, religiões e sociedade civil. Tal proteção deve ser incorporada às leis e convenções em nível local e internacional.
Sétimo: Todos os indivíduos e Estados partilham da responsabilidade pela prevenção da violência contra crianças e adolescentes, nosso futuro comum e mais precioso dom. Todos eles têm direito à educação de qualidade, cuidados básicos de saúde eficazes, segurança pessoal, proteção social, plena participação na sociedade e um ambiente propício que reforce a não-violência como estilo de vida. A educação para a paz, promovendo a não-violência e enfatizando a qualidade humana inata da compaixão, deve ser parte essencial do currículo das instituições educacionais de todos os níveis.
Oitavo: Prevenir os conflitos decorrentes da falta de recursos naturais, principalmente de fontes de energia e água, requer que os Estados, afirmativamente e pela criação de padrões e mecanismos legais, garantam a proteção do meio ambiente e motivem a população a ajustar seu consumo com base na disponibilidade de recursos e nas reais necessidades humanas.
Nono: Pedimos às Nações Unidas e seus Estados-membros que promovam a apreciação da diversidade étnica, cultural e religiosa. A regra de ouro de um mundo não-violento é: Trata os demais como gostarias de ser tratado.
Décimo: Os principais instrumentos políticos que levam ao nascimento de um mundo não-violento são instituições democráticas ativas e o diálogo baseado na dignidade, conhecimento e compromisso, conduzido com base no equilíbrio dos interesses das partes envolvidas e, quando apropriado, incluindo a preocupação com a humanidade como um todo e a natureza.
Décimo-primeiro: Todos os Estados, instituições e indivíduos devem apoiar os esforços para diminuir a desigualdade na distribuição dos recursos econômicos e resolver as desigualdades mais gritantes que constituem solo fértil para a violência. O desequilíbrio nas condições de vida leva inevitavelmente à falta de oportunidades e, em muitos casos, à perda da esperança.
Décimo-segundo: A sociedade civil em organizações como os defensores dos direitos humanos, da paz e os ativistas ecológicos, devem ser reconhecidos e protegidos como grupos essenciais para a construção de um mundo não-violento, pois todos os governos devem servir às necessidades de seu povo, não o contrário. Devem ser criadas condições para permitir e incentivar a participação da sociedade civil, especialmente das mulheres, nos processos políticos em nível global, regional, nacional e local.
Décimo-terceiro: Ao implementar os princípios dessa Carta, convidamos todos a trabalharem juntos por um mundo mais justo, livre da prática de matar, em que todos tenham o direito de não serem mortos e a responsabilidade de não matar ninguém.

A fim de combater todas as formas de violência, incentivamos a pesquisa científica nos campos da interação e diálogo humanos e incentivamos a participação das comunidades acadêmica, científica e religiosa para que nos ajudem na transição para sociedades não-violentas e livres de assassinatos. 

Instituições:

Governo vasco
Município do Cagliari, Itália
Província do Cagliari, Itália
Município do Villa Verde (OR), Itália

Organizações:

Peace People, Belfast, Irlanda do Norte
Associação Memoria Collettiva, Associação
Hokotehi Moriori Trust, Nova Zelândia
Mundo sem guerras e sem violência
Centro Mundial de Estudos Humanistas (CMEH)
A Comunidade (para o desenvolvimento humano), Federação Mundial
Convergência das Culturas, Federação Mundial
Federação Internacional de Partidos Humanistas
Associação “Cádiz por la No-Violencia”, Espanha
Women for a Change International Foundation, (Reino Unido, Índia, Israel, Camarões, Nigéria)
Institute for Peace and Secular Studies, Pakistan
Associacion Assocodecha, Mozambique
Awaz Foundation, Centre for Development Services, Pakistan
Eurafrica, Associação Multicultural, França
Peace Games UISP, Itália
Club Moebius, Argentina
Centro per lo sviluppo creative “Danilo Dolci”,Itália
Centro Studi ed Iniziative Europeo,Itália
Gruppo Emergency Alto Casertano, Itália
Sociedad Boliviana de origami, Bolivia
Il sentiero del Dharma, Itália
Gocce di fraternità, Itália

 

 

Personalidades:

Mr. Walter Veltroni, Ex-prefeito de Roma
Mr. Tadatoshi Akiba, Prefeito de Hiroshima, Presidente de Mayors for Peace
Mr. Agazio Loiero, Governador da Calábria, Itália
Prof. M. S. Swaminathan, Ex-presidente da Pugwash Conferences on Science and World Affairs, organização laureada como Nobel da Paz
David T. Ives, Albert Schweitzer Institute
George Clooney, ator
Don Cheadle, ator
Bob Geldof, cantor
Tomás Hirsch, porta-voz do Humanismo para América Latina
Michel Ussene, Porta-voz do Humanismo para a África
Giorgio Schultze, Porta-voz do Humanismo para a Europa
Chris Wells, Porta-voz do Humanismo para a América do Norte
Sudhir Gandotra, Porta-voz do Humanismo na Ásia-Pacífico
Maria Luisa Chiofalo, Vice-Prefeito do Município de Pisa, Itália
Silvia Amodeo, presidente da Fundacion Meridión, Argentina
Miloud Rezzouki, Presidente da Associação ACODEC, Marrocos
Angela Fioroni, Secretário Regional de Legautonomie Lombardia, Itália
Luis Gutiérrez Esparza, Presidente do Latin American Circle of International Studies (LACIS), México
Vittorio Agnoletto, ex-membro do Parlamento Europeu, Itália
Lorenzo Guzzeloni, Prefeito de Novate Milanese (MI), Itália
Mohammad Zia-ur-Rehman, Coordenador Nacional de GCAP-Pakistan
Raffaele Cortesi, Prefeito de Lugo di Romagna (RA), Itália
Rodrigo Carazo, Ex presidente do Costa Rica
Lucia Bursi, Prefeito do Maranello (MO), Italia
Miloslav Vlček, Presidente da Câmara dos Deputados da República Checa
Simone Gamberini, Preferito do Casalecchio di Reno (BO), Itália

 

http://www.theworldmarch.org/index.php?secc=carta

Identidade, intolerância e as diferenças no espaço escolar: questões para debate

Postado em Educação em Novembro 6, 2009 por projetomuquecababys

By Eliana Oliveira (*)

Eliana Oliveira

Numa  abordagem antropológica, a identidade é uma construção que se faz com atributos culturais, isto é,  ela se caracteriza pelo conjunto de elementos culturais adquiridos pelo  indivíduo através da herança cultural. A identidade confere diferenças aos grupos humanos. Ela se evidencia  em termos da consciência da diferença e do contraste do outro.

Ao longo de nossa história, na qual a colonização se fez presente, a escravidão e o autoritarismo  contribuíram para o sentimento de inferioridade do negro brasileiro. A ideologia da degenerescência do mestiço, o ideal de branqueamento e  o mito da democracia racial   foram os mecanismos de dominação ideológica  mais poderosos já produzidos no mundo, que permanecem ainda no imaginário social, o  que dificulta a ascensão social  do negro, pois este é visto como indolente e incapaz intelectualmente.

A política de branqueamento que caracterizou o racismo no Brasil foi gerada por ideologias e pelos estereótipos de inferioridade e/ou superioridade raciais. A ideologia do branqueamento teve como objetivo propagar que não existem diferenças raciais no país e que todos aqui vivem de forma harmoniosa, sem conflitos (mito da democracia racial).  Além desses aspectos, projeta uma nação branca que, através do processo de miscegenação, irá erradicar o negro da nação brasileira, supondo-se, assim, que a opressão racial acabaria com a raça negra pelo processo de branqueamento. Essa tese é apresentada pelo Brasil ao mundo.

Gilberto Freire foi um dos pioneiros desse  “ mito da democracia racial”  apregoando que existe, no Brasil, a igualdade de oportunidades para brancos, negros e mestiços. A disseminação desse mito  permitiu esconder as desigualdades raciais, que eram constatadas nas práticas discriminatórias de acesso ao emprego, nas dificuldades de mobilidade social da população negra, que ocupou e ocupa até hoje os piores lugares na estrutura social, que freqüenta as piores escolas e que  recebe remuneração inferior à do branco pelo mesmo trabalho e tendo a mesma qualificação profissional. A falta de conflitos étnicos não caracteriza ausência de discriminação, muito pelo contrário, o silêncio favorece o “status quo” que,  por sua vez, beneficia a classe dominante.

O movimento negro vem denunciando com freqüência o tratamento discriminatório recebido pelos negros, lutando não só para eliminar as políticas de inferiorização com respeito às diferenças raciais, mas também pela igualdade de oportunidade, que é a ética da diversidade.

O nosso cotidiano escolar está impregnado do mito da democracia racial – um dos aspectos da  cultura da classe dominante  que  a escola transmite-,  pois representa as classes privilegiadas e não a totalidade da população, embora haja contradições no interior da escola que possibilitam problematizar essa cultura hegemônica, não desprezando as diversidades culturais trazidas pelos alunos. Assim, apesar de a escola inculcar o saber dominante, essa educação problematizadora poderia tornar mais evidente a cultura popular.

A proposta de uma educação voltada para a diversidade  coloca a todos nós, educadores, o grande desafio de estar  atentos às diferenças econômicas, sociais e raciais e de buscar o domínio de um saber crítico que permita interpretá-las.

Nessa proposta educacional será preciso rever o saber escolar e também investir na formação do educador, possibilitando-lhe uma formação teórica  diferenciada da eurocêntrica. O currículo monocultural até hoje divulgado deverá ser revisado e a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas. E a escola terá o dever de dialogar com tais culturas e reconhecer o pluralismo cultural brasileiro.

Talvez pensar o multiculturalismo fosse um dos caminhos para combater os preconceitos e discriminações ligados à raça, ao gênero, às deficiências , à idade e à cultura, constituindo assim uma nova ideologia para uma sociedade como a nossa que é composta por diversas etnias, nas quais as marcas identitárias,  como cor da pele, modos de falar, diversidade  religiosa, fazem a diferença em nossa sociedade.  E essas marcas são definidoras de mobilidade e posição social na nossa sociedade.

Nós, como educadores, temos a obrigação não só de conhecer os mecanismos  da dominação cultural,  econômica, social e política, ampliando  os nossos conhecimentos antropológicos, mas também de perceber as diferenças étnico-culturais sobre essa realidade cruel e desumana.

Olhar a especificidade da diferença é instigá-la e vê-la no plano da coletividade. Pensar numa escola pública de qualidade é pensar na perspectiva de uma educação inclusiva. É questionar o cotidiano escolar, compreender e respeitar o jeito de ser negro, estudar a história do negro e assumir que a nossa sociedade é racista. Construir um currículo multicultural é respeitar as diferenças raciais, culturais ,étnicas, de gêneros e outros. Pensar num currículo multicultural é opor-se ao etnocentrismo e preservar valores básicos de nossa sociedade.

Se a educação está centrada na  dominação cultural  da elite  branca,  o  multiculturalismo – por ser uma estratégia de orientação educacional para os problemas das diferenças culturais na instituição escolar – reconhece a alteridade e o direito à diferença dos grupos minoritários, como negros, índios, homossexuais, mulheres, deficientes físicos e outros, que se sentem excluídos do processo social. Portanto, deve ser uma teoria a ser propagada.

Segundo o Prof. Kabengele Munanga, a identidade é para os indivíduos a fonte de sentidos e de experiência. Toda identidade exige reconhecimento, caso contrário ela poderá sofrer prejuízos se for vista de modo limitado ou depreciativo.

A realidade que enfrentamos hoje é perversa. Olhamos  crianças miseráveis perambulando pelas ruas das  grandes cidades, vemos pela TV e jornais o sofrimento de crianças afegãs, meninas sendo prostituídas no Brasil e na Ásia e em outros países, massacres que transformam a segurança dos poderosos em insegurança para todos nós.  Ninguém exige respostas para tantas desgraças, mas de todos nós exigem um comprometimento pessoal por uma humanidade mais justa e solidária.  Curiosamente sempre estamos procurando um culpado por todos esses problemas. Além disso,  podemos observar no nosso cotidiano flagrantes e atitudes preconceituosas nos atos, gestos e falas. E, como não poderia ser diferente,  acontece o mesmo no ambiente escolar.

Nessa proposta multicultural,  a escola poderá  elaborar um currículo que permita  problematizar a realidade. Mesmo não sendo o único espaço de integração social,  a escola poderá possibilitar a consciência da necessidade dessa integração, desde que todos tenham a oportunidade de acesso  a ela e possibilidade de nela permanecer.

A educação escolar  ainda é um espaço privilegiado para crianças, jovens  e adultos das camadas populares terem acesso ao conhecimento científico e artístico do saber sistematizado e elaborado, do qual a população pobre  e negra  é excluída por viver num meio social desfavorecido.

A escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e também é o local mais discriminador. Tanto é assim que existem escolas para ricos e pobres, de boa e má qualidade, respectivamente.  Por isso trabalhar as diferenças é um desafio para o professor, por ele ser o mediador do conhecimento, ou melhor, um facilitador do processo ensino- aprendizagem. A escola em que ele foi formado e na qual trabalha é reprodutora do conhecimento da classe dominante, classe esta, que dita as regras e determina o que deve  ser transmitido aos alunos. Mas, se o professor for detentor de um saber crítico, poderá questionar esses valores e saberá extrair desse conhecimento o que ele tem de valor universal.

Na maioria dos casos, os professores nem se dão conta de que o país é pluriétnico e que a escola é o lugar ideal para discutir  as diferentes culturas, e  suas contribuições  na formação do nosso povo.  Eles também ignoram que muitas vezes as dificuldades do aluno advêm do processo  que está relacionado à sua cultura, tão desrespeitada ou até ignorada pelos professores.

A nossa escola é baseada numa visão eurocêntrica, contrariando o pluralismo étnico-cultural e racial da sociedade brasileira. E os educadores e responsáveis pela  formação de milhares de jovens na sua grande  maiorias são vítimas dessa educação preconceituosa, na qual foram formados e socializados. Esses educadores não receberam uma formação  adequada para lidar com as questões da diversidade e com os preconceitos na sala de aula e no espaço escolar.

A pequena quantidade de alunos negros nas escolas é resultado, na realidade, da desigualdade praticada pela  instituição escolar e pelo próprio processo de seu desenvolvimento educacional. Também a prática seletiva da escola silencia sobre  as diferenças raciais  e sociais, provocando a exclusão do aluno de origem negra pobre, dos portadores de necessidades especiais e  de outros.

Trabalhar igualmente essas diferenças não é uma tarefa fácil para o professor, porque para lidar com elas é necessário compreender como a diversidade se manifesta e em que contexto. Portanto, pensar uma educação escolar que integre as questões étnico-raciais significa progredir na discussão a respeito das desigualdades sociais, das  diferenças raciais e outros níveis e no direito de ser diferente, ampliando, assim,  as propostas curriculares do país, buscando uma educação mais democrática.

Embora saibamos que seja impossível uma escola igual para todos, acreditamos que seja possível a construção de uma escola que reconheça que os alunos são diferentes, que possuem uma cultura diversa e que repense o currículo, a partir da realidade existente dentro de uma lógica de igualdade e de direitos sociais. Assim,  podemos deduzir que a exclusão escolar  não está relacionada somente com o fator econômico, ou seja, por ser um aluno de  origem pobre, mas também pela sua origem étnico-racial.

 

Bibliografia:

GIROUX, Henry A. Cruzando as fronteiras do discurso educacional: novas políticas em educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999

GONÇALVES, Luiz Alberto Oliveira & SILVA, Petronilha B. Gonçalves e. O jogo das diferenças: Multiculturalismos e seus contextos. Belo Horizonte: Autêntica, 1998

MUNANGA, Kabengele. O preconceito racial no sistema educativo brasileiro e seu impacto no processo de aprendizagem do “alunado negro”. IN: Utopia e democracia na Escola Cidadã. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal de RGS, 2000.

PIERUCCI, Antônio Flavio. Vivendo o preconceito em sala de aula IN: Diferenças e preconceitos na escola alternativas teóricas e praticas. São Paulo: Summnus, 1998

__________. Ciladas da diferença. Tempo Social, 1990.

(*) Psicopedagoga; Doutora em Antropologia Social da FFLCH – USP e Pesquisadora do NEINB (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro da USP). Atualmente é professora e coordenadenadora do curso de Pedagógica da FMC, membro da Comissão Própria de Avaliação-CPA da Faculdade Metropolitana de Caieiras-FMC, professora do curso de Pós-Graduação da Escola Superior da Procuradoria Geral do Estado-ESPGE. Publicado na REA, nº 07, dezembro de 2001, disponível em

 http://www.espacoacademico.com.br/007/07oliveira.htm

Fattburger with Chuck Loeb – Sugar

Postado em Smooth Jazz em Novembro 2, 2009 por projetomuquecababys

Fattburger – So Far So What

Postado em Smooth Jazz em Novembro 2, 2009 por projetomuquecababys

Jimmy Sommers feat. Vikter Duplaix – If I Knew

Postado em Música Eletrônica (Nu Jazz) em Outubro 31, 2009 por projetomuquecababys

Kyoto Jazz Massive – Substream

Postado em Música Eletrônica (Nu Jazz) em Outubro 31, 2009 por projetomuquecababys

Jazztronik – 06 – Nana

Postado em Música Eletrônica (Nu Jazz) em Outubro 31, 2009 por projetomuquecababys

Urban Knights – Clubland

Postado em Música Eletrônica (Nu Jazz) em Outubro 31, 2009 por projetomuquecababys

Urban Knights- Chill (Booker T Nu Jazz Mix)

Postado em Música Eletrônica (Nu Jazz) em Outubro 31, 2009 por projetomuquecababys

O Rappa – Monstro Invisível

Postado em O Rappa em Outubro 31, 2009 por projetomuquecababys

Compositor: O Rappa

Monstro invisível que comanda a horda
Arrasando tudo o que é de praxe
Eu tô laje acima, no cerol que traz a vida pra baixo
Brilhante idéia de uma cabeça nervosa
Grafitando um outro muro de raiva
Eles já sabiam, mas deixaram a sina guiar a sorte

Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar

Poço lado e sujo, cria do descaso
Alimentando folhas em branco e preto
Outra epidemia desanima quem convive com medo
Botões e atalhos amplificam a distância
E a preguiça de estar lado a lado veste a armadura
Esse é o poder solitário

Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comunga
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar

Monstro invisível que comanda a horda
Arrasando tudo o que é de praxe
Eu tô laje acima, no cerol que trás a vida pra baixo
Brilhante idéia de uma cabeça nervosa
Grafitando um outro muro de raiva
Eles já sabiam, mas deixaram a sina guiar a sorte

Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar (2x)

Comungar, comungar, comungar, comungar, comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história ela comungar

Comungar, comungar, comungar, comungar, ei (2x)

Monstro invisível arrasando tudo como é de praxe
Tudo como é de praxe, é de praxe
Eu tô laje acima e o cerol que traz a vida pra baixo, pra baixo, pra baixo, pra baixo